Entre linhas e coragem, Jane costura o próprio recomeço aos 62 anos aqui em Praia Seca.
O varal na frente da casa chama a atenção de quem passa. Não são roupas comuns balançando ao vento, mas vestidos de contos de fadas, fantasias de pirata, capas coloridas e personagens que despertam a imaginação. Cada peça ali carrega mais que tecido, carrega a história do recomeço de Jane da Silva de Oliveira, 62 anos.
Carioca de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Jane se mudou para Praia Seca há pouco mais de um ano. Embora frequentasse a região como veranista desde meados da década de 1980, morar de vez foi diferente.

A mudança trouxe silêncio demais. “Eu estava muito triste. Não conhecia as pessoas e não tinha mais clientes como no Rio. “Desanimei”, conta.
Acostumada a viver da costura desde jovem, ela sentiu o impacto de começar do zero. Autodidata, começou aos 14 anos, fazendo roupinhas para sobrinhos e afilhados. Tudo era feito à mão, ponto por ponto. Vinda de família humilde, aprendeu sozinha, insistindo até acertar.
Com o tempo, buscou se aperfeiçoar. Participou de cursos e de um projeto social da prefeitura. Escreveu o próprio projeto e conquistou uma máquina de costura industrial, uma vitória que ampliou suas possibilidades.
Mas foi em Praia Seca que precisou costurar algo ainda mais difícil: a própria confiança.
A virada veio dentro de casa. Casada e mãe de três filhos — Sueni, Ewerton e Elisom —, foi justamente o caçula quem lhe devolveu o ânimo, dizendo: “Mãe, faz as fantasias e coloca no varal, na frente de casa.” Jane ouviu, costurou, pendurou, e o que era tristeza começou a virar movimento. Os vizinhos paravam para olhar, as crianças apontavam e, aos poucos, as encomendas reapareceram.

O talento já tinha sido reconhecido antes. Sua primeira fantasia premiada foi a da Chapeuzinho Vermelho, que conquistou o segundo lugar em um concurso. Mas talvez o prêmio maior tenha sido perceber que ainda havia espaço para sonhar.
Hoje, aos 62 anos, Jane segue costurando fantasias e também pertencimento. O varal continua ali, colorido, como um anúncio silencioso de que nunca é tarde para recomeçar.
Entre linhas, tecidos e muita coragem, ela prova que, às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma agulha, um varal e alguém que diga: “vai lá e tenta”

Os interessados que gostaram da fantasia e desejam obter mais detalhes sobre disponibilidade, valores e condições de pagamento podem entrar em contato pelo telefone (22) 99997-9171.
















2 Comentários
Legal. É só não desanimar!
Que bom ter você aqui também.
Se hoje foi difícil, tudo bem. Amanhã você tenta de novo. O importante é continuar um passo de cada vez.